1. INTRODUÇÃO
Este trabalho apresenta o resultado obtido a partir de uma pesquisa realizada com os egresso do curso de Engenharia Industrial do CEFET-RJ.
O relato descrito e analítico desta experiência forneceu condições para proceder o levantamento
do posicionamento dos engenheiros formados no Centro, no mundo do trabalho, bem como, fornecer dados para o redimensionamento da grade curricular dos cursos de graduação
Seminário, Franco La Presti (Junho/1975) ao prefaciar o livro Desenvolvimento Interpessoal de
Moscovici, Fela [1] diz:
“Aprender a aprender é o verdadeiro cerne de qualquer processo educativo. Aprender a
relacionar-se e a comunicar-se é o fundamento mais importante para alcançar um ajustamento real e um rendimento efetivo da própria ação.”
Quando existe na instituição instrumento de verificação que identifique o grau de
empregabilidade pelo mundo do Trabalho dos oriundos dos cursos de graduação do CEFET-RJ, quanto à formação acadêmica e do cidadão estas concorrerão para o seu principal objetivo: a aprendizagem em seu amplo aspecto.
Esta conclusão motivou o Departamento de Educação Superior do CEFET-RJ na decisão de
conhecer a real dimensão das atividades acadêmicas sob o enfoque dos egressos.
2. CARACTERIZAÇÃO DO CONTEXTO DA PESQUISA
O “Projeto de Avaliação” do curso de graduação, através da aplicação de instrumento de
pesquisa de coleta de dados, foi proposto e aprovado pelo CEFET-RJ em 1997. Este estudo foi idealizado considerando a figura 1, após a definição da necessidade de se encontrar um instrumento que avalie o perfil dos profissionais de educação superior, bem como a grade curricular existente e se os mesmos estavam adequados com a necessidade imposta pelo mundo do trabalho. O conteúdo apresentado neste trabalho se refere a “Avaliação Discentes/Egressos.
Quanto a avaliação dos discentes, já implantada desde 1999, vem sendo realizada a cada
semestre letivo, com participação neste último período 2001/1 de 90% dos alunos regularmente matriculados. O trabalho com os seus resultados foi apresentado no XXIX Congresso Brasileiro de Ensino de Engenharia [2].
A figura 1 abaixo exibe a matriz de avaliação proposta no CEFET-RJ.
3. OBJETIVO GERAL DA PESQUISA
“Nos intercâmbios se cimenta todas as ações educativas”.[3].
A educação superior do CEFET-RJ é fortalecida no seu dia a dia, seja no convívio entre
professores, alunos e o corpo administrativo, a formação de uma extensa rede de relações. Na educação superior não se deve levar em consideração somente a relação de autoridade,
submissão de ensino e aprendizagem de quem teoricamente ensina e de quem teoricamente
aprende.
Considerando esses aspectos, o presente trabalho tem como objetivo geral desenvolver umapesquisa de opinião que forneça “O que apenas o mundo do trabalho conhece e o CEFET-RJ não, de modo que o estabelecimento educacional possa acompanhar as necessidades demandadas através do direcionamento da grade curricular dos cursos ofertados.
4. METODOLOGIA
O trabalho foi desencadeado através de instrumentos de avaliação submetidos aos egressos. Eles foram desenvolvidos através da aplicação de instrumentos do tipo misto, incluindo questões fechadas e abertas em que os ex-alunos selecionaram suas respostas dentro das opções apresentadas nas fechadas e descreveram suas opiniões nas abertas.
O formulário foi estruturado contendo cinco partes, sendo que a primeira contém os dados das empresas nas quais encontram-se trabalhando; a segunda diz respeito ao caminho percorrido após a sua formatura; a terceira à comparação do profissional formado pelo CEFET-RJ com os de outras Instituições; a quarta quanto à formação acadêmica anterior ao ingresso no CEFETRJ e a última à identificação.
Visando operacionalizar o envio dos formulários, bem como seu recebimento, foram realizadas as seguintes ações: Levantamento quantitativo dos formandos, através do cadastro do CREA; encaminhamento dos questionários, via correio; recebimento dos questionários via fax, correio e e-mail; tabulação dos questionários e resultados da Pesquisa.
5. AMOSTRA
A amostra foi retirada da população dos egressos do curso de Engenharia Industrial, do
período compreendido entre 1990 a 1997. O período escolhido considerou o tempo mínimo de cinco anos de graduação, tempo esse atribuído como satisfatório para uma análise racional com relação ao que foi aprendido nas Universidades e a real necessidade do mundo do trabalho. Da relação de egressos foram sorteados aleatoriamente 260 pessoas que representou 30% do universo de egressos. Na tabela I é demonstrado o universo pesquisado.
Na amostra coletada foi encontrada a seguinte relação: 80% de homens e 20% de mulheres
formados entre 1990 à 1997, conforme demonstrado no Gráfico I.
6. DO RAMO DE ATIVIDADE
Segundo a pesquisa, são os seguintes, os ramos de atividades que mais empregam os exalunos
do CEFET/RJ:
1. Montadora de automóvel................................. 7,4 %
2. Indústria de Transformação............................. 7,4 %
3. Teleinformática .............................................. 12,9 %
4. Bens de Capital............................................... 18,8 %
5. Concessionárias de Serviços Públicos.............. 25,9 %
6. Professor...................................................... 5,5 %
7. Estudante .................................................. 12,9 %
8. Outros............................................................ 9,2 %
Como pode ser observado o principal ramo de atividade, captadora de mão-de-obra do
CEFET/RJ, com 25,9% de grupo pesquisado são as concessionárias de Serviço Público (Água, Luz,
Gás e Telefone), seguido pela de bens de capital com 18,8% . Na amostra coletada foi obtido um total de 8,5% de engenheiros desempregados e caso seja considerado o percentual de egressos que
continuam a estudar (Especialização, Mestrado e/ou Doutorado) os quais se encontram fora do
mercado de trabalho, atingiremos a 20,3% de ex-alunos.
7. DA QUALIFICAÇÃO
Na pesquisa de campo, ao solicitar através da pergunta “Após se formar”: Fez algum curso
de qualificação? Tivemos como objetivo mostrar se a grade curricular do curso de Engenharia
Industrial esta compatível com as necessidades do mundo do trabalho, ou se houve necessidade de
complementação de aprendizagem e do total pesquisado, 64% responderam que cursaram ou estão
cursando a pós-graduação lato e/ou stricto sensu.
1. EGRESSOS (1990 A 1997)
O Gráfico II demonstra os dados consolidados da qualificação.
O Gráfico III demonstra o tipo de aperfeiçoamento dos ex-alunos pesquisados,
complementando o gráfico II, mediante análise dos egressos, os quais deram continuidade aos estudos
após a graduação no CEFET-RJ.
8. DO INGRESSO NO MUNDO DO TRABALHO
Ao observar as respostas dos egressos, constata-se uma igualdade nas respostas do universo
pesquisado, visto que 53% responderam que não tiveram dificuldade no acesso ao mundo do trabalho e 47% tiveram alguma dificuldade de trabalhar como engenheiro.
O Gráfico IV demonstra as respostas dos egressos no mundo do trabalho.
9. DA RECEPTIVIDADE DO ENGENHEIRO DO CEFET PELO MUNDO DO TRABALHO
Do somatório das opiniões dos entrevistados, 81% afirmaram que as empresas são receptivas
com os graduados pelo CEFET, 14% afirmaram o contrário e 5% não emitiram opiniões.
Pode-se afirmar, que quase a totalidade dos entrevistados, pensa que o mundo do trabalho
reconhece que os engenheiros formados pelo Centro são respeitados profissionalmente conforme
gráfico V abaixo demonstrativo:
10. DA DIFERENÇA DO ENGENHEIRO DO CEFET COM O DAS OUTRAS
UNIVERSIDADES
Buscou-se nesta pergunta saber, pela ótica do egresso do CEFET, como se vê em relação aos
outros engenheiros.
Na tabulação, 64% informaram que se acham mais práticos, 8% mais teóricos; 3% mais
empreendedores; 2% mais humanistas e 23% não responderam, conforme gráfico VI abaixo
demonstrativo:
11. DA POSIÇÃO HIERÁRQUICA DO ENGENHEIRO NA EMPRESA
Na busca de conhecer qual seria o nível hierárquico dos egressos, nas empresas, foi
formulada a seguinte indagação. “Na sua concepção qual dos cargos se coaduna melhor com a sua
formação acadêmica? Do total, 25% acham que o cargo de supervisor se coaduna melhor aos
profissionais formados no CEFET, 5% como Chefe de Divisão, 8% como Chefe de Departamento ,
27% como Gerente e 35% não opinaram.
No gráfico VII é demonstrada a opinião dos egressos.
12. DO CURRICULUM
Feita a proposição aos egressos, se o curriculum ministrado no curso de Engenharia
Industrial vem atendendo suas necessidades profissionais, 39% dos entrevistados informaram que
atende, 3% não atende e 58% atende em parte.
No gráfico VIII é verificada a relação entre o que é cursado e a necessidade do mundo do
trabalho.
13. DO ENSINO PROFISSIONALIZANTE
Neste tópico procurou-se saber qual o tipo de formação do egresso quando ele iniciou o
curso de graduação do Centro. Do universo pesquisado 56% responderam que fizeram o seu curso
médio em escolas técnicas e 44% em escolas de ensino médio.
No gráfico IX é especificada a origem do egresso.
14. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando a atual velocidade das transformações tecnológicas e a crescente capacidade
dos equipamentos/sistemas de informações e a competitividade do mercado, há necessidade que
dirigentes, corpo docente e alunos estejam em contínuo processo de atualização.
Neste sentido, além da modernização dos processos de informação e formação, o CEFET -RJ
tem avaliado seus ex-alunos, principalmente, através da sua aceitação no mundo do trabalho.
A educação superior está vivenciando grandes mudanças em função da globalização que
obrigam o país a aumentar o ensino de massa, a diversificação e flexibilização de cursos, o maior
diálogo com o mercado, o financiamento da educação mediante a efetiva participação do setor privado entre outras.
Atualmente não é mais discutido se deve existir sistema de avaliação, mas questiona-se
como ele deve ser estruturado e como deve funcionar. De acordo com a matriz de avaliação do
CEFET-RJ os discentes de seus cursos de Engenharia Industrial, devem ser capazes de:
§ Planejar, projetar, implementar e gerenciar processos;
§ Supervisionar, controlar e atuar em processos industriais;
§ Elaborar parecer sobre sistemas e processos.
O CEFET-RJ em consonância com este perfil, deve atuar em sete áreas:
§ Incrementar e diversificar o programa de estágio supervisionado junto às empresas;
§ Ampliar os Programas de estágios no exterior junto às Universidades Tecnológicas;
§ Estabelecer convênios com Universidades Nacionais e Internacionais visando o intercâmbio de
docentes;
§ Agregar propostas pedagógicas que incentivem os alunos a participarem de Projetos Tecnológicos
Institucionais;
§ Reestruturar a disciplina Projeto Final para que não se apresente apenas como mais uma disciplina
ofertada no último período do curso, mas sim proporcionando um direcionamento técnico-acadêmico
do discente ao longo de sua vida universitária;
§ Direcionar o curriculum com disciplinas que venham capacitar os egressos no desenvolvimento
interpessoal. e
§ Consolidar o sistema de avaliação, considerando os egressos, docentes e discentes.
56%
44%
Curso Médio Técnico
Cuso Médio Tradicional
Com referência a este último item, segundo Spagnolo, Fernando [4] “... Em avaliação, como
em todo empreendimento humano, não há questões definitivamente fechadas. ...”.
15. CONCLUSÃO
O processo de auto avaliação de uma instituição de educação superior, não se completa, sem
que haja instrumentos que gerem condições de conhecer os caminhos percorridos pelos egressos no
mundo do trabalho.
Conclui-se que a pesquisa realizada gerou condições de constatar que 81% dos egressos
pesquisados tiveram boa aceitação no mundo do trabalho e que 53% não tiveram dificuldade em obter
colocação dentro de sua especialização.
Outro ponto a ser mencionado é a necessidade permanente de atualização curricular tanto por
exclusão quanto por inclusão de disciplinas que façam frente ao constante avanço tecnológico.
Os egressos são os difusores do conhecimento adquirido em função do curriculum
ministrado e portanto o elo de ligação entre o mundo acadêmico e o mundo do trabalho.
16. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] Moscovici, Fela. “Desenvolvimento Interpessoal: leituras e exercícios de treinamento em
grupo.” R.J., Livros Técnicos e Científicos: 1975.
[2] Bastos, José dos Santos; Dias, Lilian Martins da Motta; Xavier Leydervan de Souza; Jorge,
Carlos Ferreira Jorge. “Uma Contribuição ao Estudo da Adequação dos Currículos na Formação do
Engenheiro Industrial do CEFET-RJ”, Cobenge Registro sob o nº 24, pag. 851, do Livro nº 42,
2001
[3] Dias Sobrinho, José. “Avaliação da Educação Superior”, R.J., Vozes, 2000.
[4] Avaliação do Ensino Superior: Dez Lições da Inglaterra”., Infocapes V.8 NI, pag. 7; Jan.2000.